Espaireça

Teresa, você é a coisa mais bonita que eu vi até hoje na minha
vida, inclusive o porquinho-da-índia que
me deram quando eu tinha seis anos.

Manuel Bandeira




Diariamente

terça-feira, 1 de junho de 2010

.
.
Trabalhar em um shopping é um tanto quanto torturante. Todos os dias, passo em frente a uma loja de lingeries onde sou obrigada a ver a Gisele Bündchen vestindo calcinha e sutiã preto numa pose exuberante. Seu cabelo perfeito combina com o rosto fino e a expressão sensual, o que, me obriga a pensar "Que ódio!".
Passando a loja de lingeries, vem uma loja repleta de vestidos lindos e caros que vestem os corpos perfeitos das manequins magrelas. Em seguida, outra loja feminina. Dessa vez com sapatos e bolsas. Na frente dessa, uma que brilha com as jóias de ouro e prata, cintilando através da vitrine iluminada, onde há também fotos de beldades de corpos perfeitos.

Chego ao meu local de destino e lá permaneço durante horas a fio de puro tédio. Às vezes temos um pouco de emoção quando somos surpreendidos com uma casquinha jogada do piso superior por algum pivete. (Verídico). Há também alguns clientes engraçados que nos rendem boas risadas. Respondo a perguntas, algumas bem bizarras, peço documento e imprimo cupons. Repito sempre as mesmas falas: “Bom dia, já tem cadastro?”, ” Me empresta um documento, por favor",” Qual o seu CEP?". Carimbo as notas fiscais das pessoas que desfilam pelo shopping. Nas sacolas, roupas caras. Na barriga, Mc Donald's, Pizza Hut, Viena, ou qualquer outra tentação da praça de alimentação. Na hora do almoço, me contento com meu lanche de pão integral. Durante o expediente vejo o brilho da faixada vermelha da TAM, o que me faz imaginar os pacotes de viagens vendidos. Como se não bastasse, ainda olho para dois carros 0 km que serão dados de presente a algum sortudo.

Certa hora do dia, a Koppenhagen me mata de desejo com o cheiro de café que abriria o apetite até daquele que não gosta de café. Logo mais, o quiosque da Nutty espalha o cheiro de amendoim doce por todo o nosso balcão e nos mata novamente. Então abro minha bolsa sem zíper e vejo que só tenho dinheiro para o ônibus, e que o troco basta apenas para comprar algumas balas na banca de jornal. Ah.. Se eu tivesse ao menos R$6,40 para comprar um cappuccino na Kopenhagen...

Chegada a esperada hora de ir embora, me despeço com alegria do computador e dos meus queridos companheiros de trabalho. No caminho de volta para casa, a música me acompanha durante todo o percurso. O fone de ouvido me mantém acusticamente isolada do mundo, nenhuma voz me incomoda. O único barulho é o motor do ônibus, difícil de abafar.

Assim que chego em casa, sinto o desprazer de ver meu corpo no espelho. Imediatamente me vêm à cabeça a imagem da Gisele Bündchen de lingerie preta e das outras gostosas da vitrine. Ainda assim, vou correndo para a cozinha, abro a geladeira e não faço questão de resistir à Coca-Cola.

Minha mente fria e nebulosa

domingo, 23 de maio de 2010

Ando brigada com as palavras. Por isso eis aí uma foto bonitinha que tirei ano passado em Campos do Jordão. Deitada na rede, curtindo belos 12 graus do mês de julho, essa paisagem chamou minha atenção e me fez levantar. Assim está minha mente: nebulosa, obscura, escura, tal como o céu da paisagem. Minhas idéias; frias e pacatas, como aquele dia. Meus textos estão silenciosos e desertos.



Às vezes me pergunto de onde Ruy Castro, Clovis Rossi e tantos outros grandes jornalistas tiram inspiração para manterem suas colunas diárias e atualizarem seus blogs todos os dias. Claro que uma comparação minha a todos esses titãs seria um tanto grosseira. Sou apenas uma aspirante a jornalista e escritora que se contenta com seus dois ou três leitores.


Sei que a arte de escrever é muito mais transpiração do que inspiração. Ainda assim, estou fora de forma, meu suor não me rende textos esbeltos e gostosos. . Um dia quem sabe terei o prazer de escrever com maestria todos os dias.


Por trás das nuvens escuras sempre há um céu claro, azul. Palavras bonitas.


PS: Ainda escrevi mais que o previsto!

I see you!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Finalmente conheci os Na’vi! Tudo bem que não pude apreciar da melhor forma possível a super produção de James Cameron. Assistir ao filme mais caro da história num monitor de 21 polegadas com um fone de ouvido apertando o ouvido, produzindo chiados e sentada em uma cadeira desconfortável não parece ser muito agradável. Mas foi. Foi porque quando o filme é bom MESMO, o conforto e a sofisticação se tornam secundários, a falta deles não me impediu de mergulhar na história, de me contorcer na cadeira nos momentos de tensão, quase perdendo o fôlego junto com o Jake Sully no final do filme.
Seria tão bom deitar dentro de uma máquina e acordar em um mundo totalmente diferente, complexo, quase mágico. Como seria bom aliar o sobrenatural de voar em cima de um bicho desconhecido à simplicidade de sentir a terra sob o pé. Seria maravilhoso poder tornar a vida um pouco cinematográfica também, não?



Até o tal do amor aparece no filme! Um lindo ex- fuzileiro paraplégico é capaz de renunciar toda a sua glória de desbravador e trair sua própria raça em nome de um amor. Amor aos nativos, à natureza, mas principalmente a uma mulher. Fico me perguntando qual a chance de se achar algo assim por ai. Ou pelo menos um Jake Sully.

Exercise your music muscles

terça-feira, 20 de abril de 2010

É fato que vivemos de imagens, que TUDO é imagem e que somos rodeados por elas em todos os cantos possíveis. Todos os dias somos bombardeados por outdoors, banners, propagandas, fotos de todos os tipos, de modo que é cada vez mais dificil olhar para uma obra de arte ou uma simples foto e gastar um tempinho para analisar e interpretar o que ela representa. Nosso olhar está tão poluido quanto o ar carregado das cidades. O quiz abaixo nos faz praticar o olhar mais paciente, atento e interpretativo.



A Virgin Digital é uma loja de música on line que lançou esse quiz para testar, além de nosso repertório musical, nossa habilidade de interpretação de imagens e signos.
Ao todo são 74 bandas ou cantores representadas por essas imagens. Eu só consegui achar Guns n' Roses, Rolling Stones, Queen, 50 Cent, U2 e Pink. What a shaaaaame! Quem acha mais?
.
.

Desabafos e Pieguices

sexta-feira, 16 de abril de 2010

.
.


Vai saber
Vai entender
É desilusão e esperança
Amargura e alivio
É nó na garganta e prazer
É platônico, mas tão real
Tento fugir, mas tropeço
Tenho orgulho e saudade
Anseios e desejos
Agonia
Encanto e decepção. É fogo e gelo
Eu me derreto e me revolto
Vivo no escuro, mas isso é tão claro
Ficamos tão próximos
Foi por tão pouco
Tão longe, mas tão perto
Queria reduzir a distância a cinzas
Consertar os descompassos do tempo
Têm tantos, mas não tem um
Reprimo o descontrole
Ainda? Ainda.
Pra que? Pra nada?
Nada é pra nada
Por quê?
Não tem porque
É assim porque é assim
Tão simples, mas tão complicado
Vai entender...




 Não é pra entender mesmo

segunda-feira, 12 de abril de 2010


.
.


.
Uma manhã de transporte público pode não ser muito agradável, mas pelo menos rende inspiração para um texto. Hoje acordei mais cedo que de costume e peguei um ônibus até a estação São Judas. Criei coragem, respirei fundo e entrei no micro-ônibus, que ainda não estava tão lotado, mas fui em pé, claro, conseguir sentar seria pedir demais né?
Eu gostaria muito de saber o porquê da existência do micro-ônibus em uma cidade como São Paulo. Não há lugar para metade dos passageiros, possui um corredor de menos de meio metro, por onde é quase impossível transitar, e uma catraca ridícula que ocupa o espaço de 4 assentos, no mínimo. Fora aqueles DOIS assentos preferenciais que não dão preferência alguma para os idosos e deficientes físicos. Os cadeirantes, então, não podem nem sonhar em pegar um ônibus como esse. Bom, pelo menos tem um motorista que é mil e uma utilidades, capaz de dirigir, olhar os passageiros que entram, cobrar a passagem, fazer as contas, pegar o troco (quando TEM) e ainda prestar atenção no trânsito! Não é o máximo? A vantagem dos ônibus pequenos é que são mais rápidos e o motor é mais novo. Deve ser por isso o preço absurdo das passagens: R$3,20. Como se adiantasse ter alguma velocidade no trânsito de São Paulo.
Concluída a primeira etapa da maratona transporte público, chego ao metrô e me preparo para a segunda: a fila da bilheteria. Ai meu Deus, o que eu tô fazendo aqui? Passados alguns minutos consigo ser atendida pela única funcionária da bilheteria, que geralmente está com uma cara azeda e joga as moedas do troco com certa violência.
Consegui finalmente entrar no metrô, o próximo passo é encarar a estação da Sé! Esse é o lugar mágico que cura a carência e a solidão de qualquer um, não faltam pessoas por todos os lados e ao entrar no trem somos acolhidos com abraços e podemos sentir o verdadeiro calor humano! De pensar que gastei suados R$2.65 num bilhete de metrô que já custou R$2,55, R$2,40... Até quando será que vai aumentar?
O melhor é ouvir ainda que devemos priorizar o transporte coletivo para melhorar o trânsito e diminuir os impactos ambientais. São nessas horas que, por mais que pese minha consciência ecológica, sou obrigada a pensar: Dane-se o meio ambiente, vou é de CARRO! E é por isso e por muito mais que meu coração dói tanto a cada moeda que coloco na mão do cobrador de ônibus ou da moça de cara azeda.
.
.

Cultura inútil é fundamental!

quarta-feira, 31 de março de 2010

.
Salve Salve críticos de plantão!


Há quem diga que é futilidade, que é apenas um ideal consumista ou uma busca incessante por status e fama. Há quem diga que Pedro Bial perdeu sua credibilidade como jornalista e não é mais o intelectual que cobriu a queda do muro de Berlim e a guerra do Golfo. Há os que dizem ainda que o Big Brother Brasil é fonte de ignorância, fofoca e sacanagem para o público iletrado e sem cultura.

Esse discurso “intelectual” é chato ein! Tornou-se moda falar mal do programa e os que não assistem são os letrados inteligentes que valorizam seu tempo. Será? Será que esse tsunami de críticas ao BBB não é certo censo comum dentro do suposto mundo dos intelectuais? BBB é banal, sem conteúdo e só “emburrece” a sociedade brasileira, segundo os críticos de plantão. Mas bateu o recorde mundial de reality shows com 155 milhões de votos. Realmente, o BBB não é o programa de televisão mais enriquecedor do mundo, porém não nos impede de ler um bom livro, assistir a um bom filme ou ir ao teatro. A falha na educação e a falta de cultura de grande parte dos brasileiros é um BIG problema, mas vêm de outras questões bem mais complexas, viu BROTHERS do BRASIL?

Tudo bem, ele tem lá suas futilidades e baixarias, até ai, não fica atrás de grande parte dos programas da televisão brasileira que movem a sociedade. E não se pode deixar de considerar que é o programa de maior audiência da rede globo, está diariamente nas páginas dos maiores jornais do país e é assunto de atualidade SIM! Por mais que isso cause muita dor no coração do público erudito.

E qual o problema de gostar de futilidades? Desde que não se torne uma prática constante, acho super saudável termos aqueles clássicos momentos de folga para fazer coisas inúteis, ficar na frente do computador, e até mesmo assistir Big Brother, por que não? Após um dia intenso de trabalho e estudo, qual o problema em ver umas baboseiras na TV? Acredito que há momentos de estudo, trabalho, cultura e formação intelectual, mas há outros que podemos muito bem destinar ao ócio e algumas futilidades, cultura inútil é fundamental para espairecer, entreter e não torna ninguém fútil não.

E se tratando do Pedro Bial, para mim ele continua um jornalista conceituado, autor de textos invejáveis e um cara que inspira futuros jornalistas, como eu. Assistir BBB, além de ser uma questão de opinião e gosto, não tem absolutamente nada a ver com o nível intelectual e cultural dos telespectadores. Essas duas coisas não são mutuamente excludentes e essa associação é um julgamento um tanto quanto simplista, uma generalização. E acho que toda generalização tem um pouco de preconceito, e todo preconceito é fruto de ignorância.


Eu gosto sim, e daí?
.
.

Adeus 19!

quinta-feira, 4 de março de 2010




É, o tempo passa rápido! Não há data melhor para se dar conta disso que aniversários. Engraçado. Cada ano que completamos é uma comemoração, festa,  presentes, bolo, doces, etc.. Começam a chegar milhões de mensagens de "parabéns", " Tudo de bom!" , "Deus abençõe ", ganhamos parabéns até do ORKUT!  Mas essa é a data em que ficamos mais velhos, consequentemente temos menos tempo de vida, chegamos mais perto da velhice, das rugas e de muitas limitações. IDADE é a única coisa que temos a certeza de ganhar de aniversário, querendo ou não. E ainda comemoramos? Vai entender.  
Às vezes me pergunto se fazer mais um ano de vida é mesmo digno de tanta euforia ou se é apenas mais um dos padrões criados por nós, sociedade. Afinal, estamos ganhando ou perdendo um ano?
Esse foi meu último dia de garota de 19 anos, a partir de amanhã serei uma de 20. Meu Deeeeuss!  
Apesar de tudo, amanhã vou comemorar com as pessoas queridas, comer bolo, ganhar presente e muitos beijos. Óbvio que não acharei nada ruim e no fundo, será um dia especial, em que poderei fazer um pedido (ou vários) e dizer: " Hoje é meu dia!".  





Corrida para o Oeste

segunda-feira, 1 de março de 2010

.
.
Muito antes do advento das grandes navegações, já havia fortes contatos entre a Europa e o Oriente. Graças às especiarias fundamentais para o comércio, países como China e Índia eram extremamente valorizados e necessários para o desenvolvimento do capitalismo ocidental. A tão famosa globalização nasceu a partir do comércio ultramarino que expandiu os horizontes do homem e o colocou diante de diversas outras culturas e etnias.



Enquanto no século XV o Oriente era muito mais valorizado pelo Ocidente, devido a interesses econômicos, hoje essa situação se inverteu nos aspectos culturais e étnicos, já que os olhos grandes e o tom de pele mais claro se tornaram padrões de beleza almejados por mulheres de olhos puxados ou pele negra.



A cultura norte-americana foi forte e rapidamente disseminada no contexto da guerra fria com o intuito de consolidar sua hegemonia mundial. Ao verem os “traços perfeitos” das lindas mocinhas nos filmes hollywoodianos ou nos clipes da madona, chinesas, japonesas e africanas se submetem a arriscadas e dolorosas cirurgias plásticas para remodelar o rosto, ficarem meros 10 centímetros mais altas ou branquearem seu tom de pele, como é o caso de 67% das senegalesas.



Daí percebe-se a tamanha influência da mídia nos padrões de beleza mundiais. A obsessão das africanas e asiáticas para copiar os traços ocidentais evidencia um complexo de inferioridade e perda da identidade. É indiscutível que os efeitos da globalização repercutem positivamente no intercâmbio de culturas, mas é exagero que se ponha a vida em risco apenas para seguir algo tão efêmero.



As fronteiras geográficas foram transpostas e os “muros de Berlim” foram derrubados. Além das fronteiras concretas, há também grande dedicação para ultrapassar as fronteiras biológicas em função do suposto triunfo social garantido pelo grau de beleza. Essa idéia medíocre pode ameaçar a identidade das nações, acabar com o mundo multifacetado, criando pessoas iguais, monótonas e sem graça.

Powered By Blogger
You can replace this text by going to "Layout" and then "Page Elements" section. Edit " About "