Espaireça

Teresa, você é a coisa mais bonita que eu vi até hoje na minha
vida, inclusive o porquinho-da-índia que
me deram quando eu tinha seis anos.

Manuel Bandeira




Ai minha garganta

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Há dias que minha garganta anda estranha
Olho no espelho, nada
Apalpo, nada também
As amídalas, perfeitas
Não há sinal de gripe, não está inflamada, não dói, nem estou rouca
É um mistério! Que garganta mais louca!
Não sei se são os sapos que tive de engolir, ou as borboletas que preciso vomitar
Mas alguma coisa a incomoda e, consequentemente, me incomoda também,
Cá estamos, eu e minha estranha garganta em plena desarmonia.
Que agonia.
Ahhh

Ao dia dos namorados

sábado, 12 de junho de 2010

Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho? 
Vivo tranquilo, a liberdade é quem me faz carinho
No meu caminho não tem pedras nem espinhos
Eu durmo sereno e acordo com o canto dos passarinhos

Marisa Monte

Continuando...

Sigo no sossego
Sem drama nem birra, sem choro nem vela
Sem apego
Ando ao léu
Abraçada à liberdade
O pé no chão, a cabeça no céu
Sem saudade
Vou sem pressa, na companhia do vento
As mãos no bolso, curtindo a música
Sem rumo e sem destino, quase um peregrino
Chutando as pedras do caminho
Quem foi que disse que é impossível ser feliz sozinho?

Paola B.



Revelações

terça-feira, 8 de junho de 2010


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Posso ser só mais um motorista no trânsito
Mais um número de matricula
Mais uma que gira a catraca do ônibus
Mais uma que tem vontade de mudar o mundo. Só vontade.
Só mais uma coitada, domesticada e enfiada na sociedade de indigentes.
Descaracterizada.
É ai que eu vivo
Vivo viajando em desvarios, tropeçando na minha lerdeza
Correndo na direção contrária
Construindo castelos de areia sobre chão de barro.


Alguns me chamam de louca
Talvez eu seja um pouco, apesar da timidez
Não faço questão de ser normal.
Não sou 100% sóbria, nem 100% sã.
Garçom, uma dose de lucidez
Que acordo cedo amanhã.


É melhor ser ou ter?


Não tenho muito dinheiro
Tenho uma lapiseira, um caderno e um amor platônico


Um dia vou sair sem rumo e sem relógio
E comer um caixa de bombom sozinha


Odeio meu corpo, prefiro o do manequim
Às vezes me irrito na frente do espelho.
Mas esqueço disso quando como um chocolate. Simples assim.


Minha cabeça é uma bagunça, cheia de perguntas.
Tudo o que é moderno é bom?
Qual a diferença entre organização e ordenamento?
Somos organizados ou ordenados?
Existe destino?


Estou aprendendo a resistir ao celular, meu amor.
Amor?
Esse eu invento pra me distrair, assim como o Cazuza
Espero um estranho que me seduza.


Amo escrever, mesmo sem saber.
Ouço mil vezes a mesma música
Olho sempre a mesma foto

Como é que se tira borboletas do estômago?


Sou mutante, errante
Muito mais ouvinte que falante.


Sou fechada e fria, mas escondo minhas pieguices.
Sou um pouco de Capitu com Alice.
Sou um pouco de tudo e mais um pouco
Uma música fora do ritmo
Sem partido ou ideologia definida
Sim. Uma perdida.


Mas no fundo eu nem ligo. xD

Diariamente

terça-feira, 1 de junho de 2010

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Trabalhar em um shopping é um tanto quanto torturante. Todos os dias, passo em frente a uma loja de lingeries onde sou obrigada a ver a Gisele Bündchen vestindo calcinha e sutiã preto numa pose exuberante. Seu cabelo perfeito combina com o rosto fino e a expressão sensual, o que, me obriga a pensar "Que ódio!".
Passando a loja de lingeries, vem uma loja repleta de vestidos lindos e caros que vestem os corpos perfeitos das manequins magrelas. Em seguida, outra loja feminina. Dessa vez com sapatos e bolsas. Na frente dessa, uma que brilha com as jóias de ouro e prata, cintilando através da vitrine iluminada, onde há também fotos de beldades de corpos perfeitos.

Chego ao meu local de destino e lá permaneço durante horas a fio de puro tédio. Às vezes temos um pouco de emoção quando somos surpreendidos com uma casquinha jogada do piso superior por algum pivete. (Verídico). Há também alguns clientes engraçados que nos rendem boas risadas. Respondo a perguntas, algumas bem bizarras, peço documento e imprimo cupons. Repito sempre as mesmas falas: “Bom dia, já tem cadastro?”, ” Me empresta um documento, por favor",” Qual o seu CEP?". Carimbo as notas fiscais das pessoas que desfilam pelo shopping. Nas sacolas, roupas caras. Na barriga, Mc Donald's, Pizza Hut, Viena, ou qualquer outra tentação da praça de alimentação. Na hora do almoço, me contento com meu lanche de pão integral. Durante o expediente vejo o brilho da faixada vermelha da TAM, o que me faz imaginar os pacotes de viagens vendidos. Como se não bastasse, ainda olho para dois carros 0 km que serão dados de presente a algum sortudo.

Certa hora do dia, a Koppenhagen me mata de desejo com o cheiro de café que abriria o apetite até daquele que não gosta de café. Logo mais, o quiosque da Nutty espalha o cheiro de amendoim doce por todo o nosso balcão e nos mata novamente. Então abro minha bolsa sem zíper e vejo que só tenho dinheiro para o ônibus, e que o troco basta apenas para comprar algumas balas na banca de jornal. Ah.. Se eu tivesse ao menos R$6,40 para comprar um cappuccino na Kopenhagen...

Chegada a esperada hora de ir embora, me despeço com alegria do computador e dos meus queridos companheiros de trabalho. No caminho de volta para casa, a música me acompanha durante todo o percurso. O fone de ouvido me mantém acusticamente isolada do mundo, nenhuma voz me incomoda. O único barulho é o motor do ônibus, difícil de abafar.

Assim que chego em casa, sinto o desprazer de ver meu corpo no espelho. Imediatamente me vêm à cabeça a imagem da Gisele Bündchen de lingerie preta e das outras gostosas da vitrine. Ainda assim, vou correndo para a cozinha, abro a geladeira e não faço questão de resistir à Coca-Cola.

Minha mente fria e nebulosa

domingo, 23 de maio de 2010

Ando brigada com as palavras. Por isso eis aí uma foto bonitinha que tirei ano passado em Campos do Jordão. Deitada na rede, curtindo belos 12 graus do mês de julho, essa paisagem chamou minha atenção e me fez levantar. Assim está minha mente: nebulosa, obscura, escura, tal como o céu da paisagem. Minhas idéias; frias e pacatas, como aquele dia. Meus textos estão silenciosos e desertos.



Às vezes me pergunto de onde Ruy Castro, Clovis Rossi e tantos outros grandes jornalistas tiram inspiração para manterem suas colunas diárias e atualizarem seus blogs todos os dias. Claro que uma comparação minha a todos esses titãs seria um tanto grosseira. Sou apenas uma aspirante a jornalista e escritora que se contenta com seus dois ou três leitores.


Sei que a arte de escrever é muito mais transpiração do que inspiração. Ainda assim, estou fora de forma, meu suor não me rende textos esbeltos e gostosos. . Um dia quem sabe terei o prazer de escrever com maestria todos os dias.


Por trás das nuvens escuras sempre há um céu claro, azul. Palavras bonitas.


PS: Ainda escrevi mais que o previsto!

I see you!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Finalmente conheci os Na’vi! Tudo bem que não pude apreciar da melhor forma possível a super produção de James Cameron. Assistir ao filme mais caro da história num monitor de 21 polegadas com um fone de ouvido apertando o ouvido, produzindo chiados e sentada em uma cadeira desconfortável não parece ser muito agradável. Mas foi. Foi porque quando o filme é bom MESMO, o conforto e a sofisticação se tornam secundários, a falta deles não me impediu de mergulhar na história, de me contorcer na cadeira nos momentos de tensão, quase perdendo o fôlego junto com o Jake Sully no final do filme.
Seria tão bom deitar dentro de uma máquina e acordar em um mundo totalmente diferente, complexo, quase mágico. Como seria bom aliar o sobrenatural de voar em cima de um bicho desconhecido à simplicidade de sentir a terra sob o pé. Seria maravilhoso poder tornar a vida um pouco cinematográfica também, não?



Até o tal do amor aparece no filme! Um lindo ex- fuzileiro paraplégico é capaz de renunciar toda a sua glória de desbravador e trair sua própria raça em nome de um amor. Amor aos nativos, à natureza, mas principalmente a uma mulher. Fico me perguntando qual a chance de se achar algo assim por ai. Ou pelo menos um Jake Sully.

Exercise your music muscles

terça-feira, 20 de abril de 2010

É fato que vivemos de imagens, que TUDO é imagem e que somos rodeados por elas em todos os cantos possíveis. Todos os dias somos bombardeados por outdoors, banners, propagandas, fotos de todos os tipos, de modo que é cada vez mais dificil olhar para uma obra de arte ou uma simples foto e gastar um tempinho para analisar e interpretar o que ela representa. Nosso olhar está tão poluido quanto o ar carregado das cidades. O quiz abaixo nos faz praticar o olhar mais paciente, atento e interpretativo.



A Virgin Digital é uma loja de música on line que lançou esse quiz para testar, além de nosso repertório musical, nossa habilidade de interpretação de imagens e signos.
Ao todo são 74 bandas ou cantores representadas por essas imagens. Eu só consegui achar Guns n' Roses, Rolling Stones, Queen, 50 Cent, U2 e Pink. What a shaaaaame! Quem acha mais?
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Desabafos e Pieguices

sexta-feira, 16 de abril de 2010

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Vai saber
Vai entender
É desilusão e esperança
Amargura e alivio
É nó na garganta e prazer
É platônico, mas tão real
Tento fugir, mas tropeço
Tenho orgulho e saudade
Anseios e desejos
Agonia
Encanto e decepção. É fogo e gelo
Eu me derreto e me revolto
Vivo no escuro, mas isso é tão claro
Ficamos tão próximos
Foi por tão pouco
Tão longe, mas tão perto
Queria reduzir a distância a cinzas
Consertar os descompassos do tempo
Têm tantos, mas não tem um
Reprimo o descontrole
Ainda? Ainda.
Pra que? Pra nada?
Nada é pra nada
Por quê?
Não tem porque
É assim porque é assim
Tão simples, mas tão complicado
Vai entender...




 Não é pra entender mesmo

segunda-feira, 12 de abril de 2010


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Uma manhã de transporte público pode não ser muito agradável, mas pelo menos rende inspiração para um texto. Hoje acordei mais cedo que de costume e peguei um ônibus até a estação São Judas. Criei coragem, respirei fundo e entrei no micro-ônibus, que ainda não estava tão lotado, mas fui em pé, claro, conseguir sentar seria pedir demais né?
Eu gostaria muito de saber o porquê da existência do micro-ônibus em uma cidade como São Paulo. Não há lugar para metade dos passageiros, possui um corredor de menos de meio metro, por onde é quase impossível transitar, e uma catraca ridícula que ocupa o espaço de 4 assentos, no mínimo. Fora aqueles DOIS assentos preferenciais que não dão preferência alguma para os idosos e deficientes físicos. Os cadeirantes, então, não podem nem sonhar em pegar um ônibus como esse. Bom, pelo menos tem um motorista que é mil e uma utilidades, capaz de dirigir, olhar os passageiros que entram, cobrar a passagem, fazer as contas, pegar o troco (quando TEM) e ainda prestar atenção no trânsito! Não é o máximo? A vantagem dos ônibus pequenos é que são mais rápidos e o motor é mais novo. Deve ser por isso o preço absurdo das passagens: R$3,20. Como se adiantasse ter alguma velocidade no trânsito de São Paulo.
Concluída a primeira etapa da maratona transporte público, chego ao metrô e me preparo para a segunda: a fila da bilheteria. Ai meu Deus, o que eu tô fazendo aqui? Passados alguns minutos consigo ser atendida pela única funcionária da bilheteria, que geralmente está com uma cara azeda e joga as moedas do troco com certa violência.
Consegui finalmente entrar no metrô, o próximo passo é encarar a estação da Sé! Esse é o lugar mágico que cura a carência e a solidão de qualquer um, não faltam pessoas por todos os lados e ao entrar no trem somos acolhidos com abraços e podemos sentir o verdadeiro calor humano! De pensar que gastei suados R$2.65 num bilhete de metrô que já custou R$2,55, R$2,40... Até quando será que vai aumentar?
O melhor é ouvir ainda que devemos priorizar o transporte coletivo para melhorar o trânsito e diminuir os impactos ambientais. São nessas horas que, por mais que pese minha consciência ecológica, sou obrigada a pensar: Dane-se o meio ambiente, vou é de CARRO! E é por isso e por muito mais que meu coração dói tanto a cada moeda que coloco na mão do cobrador de ônibus ou da moça de cara azeda.
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