Espaireça

Teresa, você é a coisa mais bonita que eu vi até hoje na minha
vida, inclusive o porquinho-da-índia que
me deram quando eu tinha seis anos.

Manuel Bandeira




Chuva de verão

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011


Ela bate na janela
Atiça meu sono, me adormece, apetece
O som da chuva me é um deleite
Assim dizem os outros da "elite"

Do outro lado da cidade ela é antipática
Por vezes assassina
Chove grosseira e torrencialmente
Lava a rua.
Leva carro, casa, leva gente.

Em todos os canais já é notícia
o caos da cidade de pouca milícia
A tempestade que vem aos solavancos
Traz enchentes, desfaz barrancos
Leva gente.

Avassaladora, rende o pobre homem
Em especial o ribeirinho
Poe a vida por um fio
Segue seu trágico descaminho. São Paulo, Rio.
Sem pudor ou razão
Faz do choro o som das chuvas de verão


Blackout II

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

30 de Dezembro de 2010, 01h18min 


Tenho a estranha impressão de que a minha inspiração só aparece no escuro. Na verdade ela é forçada a aparecer quando não se tem o que fazer durante um Black out. Outro.
Não havia hora mais indevida. A mala estava quase pronta, faltava apenas um check-up para ter 100% de certeza de que eu não estava esquecendo a havaiana ou a escova de dente. Mas durante o fatídico processo de packing, a tão preciosa luz elétrica se foi, me deixando na mão apenas a toalha de banho que seria usada em breve.
Esse é o típico momento de indignação quando apertamos varias vezes o interruptor na esperança de que ela volte. Nem fiquei nervosa, pois nada seria capaz de acabar com o meu clima de praia que já vinha antecipado. O banho ficaria para mais tarde.
Dessa vez não tenho minha câmera para tentar transformar o tédio em arte, mas apreciei o breu pela janela. Tantos prédios, tantas janelas, todas apagadas. É uma estranha paz, uma paisagem bonita, por que não uma arte? Um jeito diferente de passar o penúltimo dia do ano. Talvez uma pausa forçada para reflexão e retrospectiva. 

Ela voltou mais cedo do que o esperado!  Ouvi a comemoração de alguns vizinhos e me deliciei quando apertei o pela volta da energia.
Como é bom apertar o interruptor e vi luz! Algumas janelas acendem, uma a uma. A vida dos meros mortais urbanos volta ao normal.



Talvez seja a hora de ir. Pela manhã, estaremos todos no trânsito para ver a chegada de 2011. Espero que sem Black out’s, e de preferência com muita luz!


Bom ano novo!

Nunca serão

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Pra quem é pensador, uma música sem pudor. Enjoy

Blackout

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

.
.

HD, tela de LCD,touchpad e wireless. Engraçado ver os icones fundamentais da tecnologia tão próximos da simplicidade de uma vela de 5 centímetros, a única que me amparou durante um blackout inesperado nessa cidade do ABC. Pobre velinha, que em condições normais é tão ignorada e desprezada. Ela fica na última gaveta do armário da cozinha e só sai em situações de emergência. De uma hora para outra ela se torna essencial.


Sem dúvida alguma, somos 100 % dependentes de energia elétrica. Tentei tomar um banho, mas quando senti a água gelada, desisti. Depois disso, achei um pouco cômico o meu desespero quando me dei conta de que os dois textos que seriam para hoje estavam salvos no computador! Por instantes, me tornei uma pobre refém daquela máquina impotente, suplicando pela volta da tão adorada e santa energia.


Por sorte, logo veio o notebook para quebrar um galho. Mesmo depois de terminar os textos sob condições horríveis de iluminação, meus problemas ainda não estavam resolvidos. Nada de internet ou linha telefônica. Uma pessoa 100% urbana no escuro, incomunicável e sem chuveiro quente é tão lastimável que beira o patético.

Já havia começado a me preparar para a invasão do tédio quando tive uma boa idéia. Liguei a câmera fotográfica esperando que ela estivesse carregada. Dessa vez dei sorte e fui para a sacada praticar meu lado de fotógrafa amadora...







Enquanto fotografava a simples paisagem urbana, vi as luzes dos prédios se acenderem uma a uma, trazendo de volta a normalidade da rotina. Pude mandar meus textos por email e tomar banho quente. A velinha voltou à gavete da cozinha, onde será esquecida até o próximo blackout.


Olá classe!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010


Um dia eu disse que NUNCA seria professora!



Mas nas reviravoltas da vida, fui parar em uma escola de inglês e hoje sou chamada de “Teacher”. Lá, além de ensinar, aprendi que ser professora não é só encher a lousa com o canetão azul e corrigir provas à caneta vermelha. É também servir de exemplo, referência e tentar, de algum jeito, fazer diferença para os alunos, principalmente para os baixinhos. É lamentar junto com eles quando vem uma nota baixa e pensar “O que eu poderia ter feito melhor?”.


Passei tantos anos sentada na cadeira de aluno e de repente me vejo em pé na frente da sala chamando a atenção e às vezes falando sozinha.


Ainda assim, descubro todos os dias o prazer de transmitir um pouco de conhecimento. Ou melhor, knowledge!


Parabéns a todos os Profs, Teachers, Professeurs, etc etc...

Dia das crianças

terça-feira, 12 de outubro de 2010


.
.
Nesse fim de semana tive uma experiência diferente. Respirei os bons ares do interior, acordei ao som dos pavões e tomei um café da manhã maravilhoso, típico de um bom hotel. Mas a experiência de que estou falando foi outra. Durante três dias, fui o que jamais esperava ser: RECREADORA. Logo de cara, vi aquela criançada fazendo bagunça e pensei “O que eu estou fazendo aqui?”. Mas bastou um dia para começar a pensar diferente. Vi o quanto ser criança é legal e muito mais fácil. Engraçado como elas se divertem tão facilmente, é incrível ver o fascínio no rosto de cada uma ao fazer um bonequinho de bexiga e farinha! Diferente de nós, adultos, que complicamos tanto as coisas e gastamos tanto dinheiro para nos divertir.

Faço uma ressalva para as mimadas e birrentas, mas basta um docinho para adoçar o humor azedo. Ainda assim, pude ver o quanto elas são sinceras, engraçadas e de uma ingenuidade apaixonante. Elas depositam toda a confiança na “tia” que as segura na piscina funda ou acompanha em uma brincadeira noturna dizendo com um olhar de pânico “ Tiiiia, to com medo!!”. Nessa hora, meu lado malvado se divertiu e teve vontade de aterrorizá-las ainda mais. Mas ao invés disso, eu apertei aquelas mãozinhas pequenas e garanti: “Calma, é só brincadeira!” E assim, foi nítido como elas se sentiram mais seguras. E incrível como EU me senti bem.

Nesses três dias, me diverti brincando de pique bandeira, cantando a música do limãozinho e pegando amora do pé para os pentelhos, rolou até certo apego. Pude ver como elas são transparentes e divertidas, apesar de irritantes às vezes. Só elas conseguem ver a riqueza na simplicidade de um boneco de farinha. Só elas conseguem nos mostrar como é fácil ser feliz.

É por isso que existe um dia quase exclusivo para elas. Feliz dia das crianças!

Summertime

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

.
.

Sei que é primavera com cara de inverno, mas aí vai um " Summertime".
Que a voz rouca e sensual de Janis Joplin invada, por uns instantes, a segunda feira apática e insensível.  xD


Quem quer ser eleitor?

quinta-feira, 30 de setembro de 2010




Finalmente! Hoje comemoro o último dia de horário eleitoral gratuito. É um alívio saber que amanhã o jornal nacional começa às 8:15 e que poderei ouvir minhas músicas no rádio na hora do almoço. Pelo menos nos meios de comunicação, as coisas estão voltando ao normal. Estamos a poucos dias do evento do ano e não estou 100% certa sobre os meus escolhidos. Parece que os bilhões gastos nas campanhas eleitorais me adiantaram tanto quanto os últimos números do datafolha.
Minha falta de seriedade com relação às eleições certamente não é algo do qual me orgulho, mas pode ser que seja reflexo do descaso e banalização que é a política no Brasil. Hoje me animei em assistir ao último debate eleitoral, mas no que mais reparei foi a Dilma com sua blusa rosa bebê e seu brinco de pérola e a sobrancelha por fazer da Marina. Cada frase proferida com tanta “pomposidade “ entrava por um ouvido e saia batido pelo outro. Talvez fosse o cansaço, o sono, ou simplesmente a incrível falta de credibilidade que nossos queridos presidenciáveis esbanjavam em seus microfones. Apesar das diferentes raízes ideológicas, tenho a impressão de que são todos farinha do mesmo saco e têm lá suas maracutaias e seus Rorizes.

Confesso que esses comentários são vulgos de uma leiga cujo conhecimento de política não é dos melhores, assim como o de grande parte dos eleitores brasileiros. Prova disso foi o quadro do CQC “Quem quer ser eleitor” (http://www.youtube.com/watch?v=FqyuLu4QvAs), mostrando a terrível desinformação dos meus colegas eleitores ( a maioria do mundo das famosidades) balbuciando o nome dos vice-presidentes e seus partidos. Pelo menos isso eu sei, afinal, são as informações mais básicas que batem cartão nos jornais todos os dias.

Pior do que isso, apenas os candidatos que não têm a mais remota idéia da função de um deputado federal, como nosso querido Tiririca, a dona mulher Pêra .Como votar com consciência se nós ( eleitores) não sabemos sequer a diferença entre o senado e a câmara e eles (candidatos) não sabem sequer o que farão? Salvo as exceções, todos nós somos artistas de um grande circo que é a política desse nosso Brasil guarani. E ainda temos que ouvir o discurso ufanista de que votar é um ato de cidadania. Mas para muitos de nós, passar parte do precioso domingo nas urnas é um grande fardo.
Depois de ouvir as retóricas considerações finais de tons promissores acompanhadas aos olhares confiantes, me diverti com as últimas palavras de Plínio de Arruda: Viva o Brasil!


Chove chuva

sexta-feira, 24 de setembro de 2010


Chove chuva
Vem escorrer sobre meu telhado
Encontre abrigo na janela do meu quarto bagunçado
E leve com você os infortúnios do passado


Chuva fria, chuva boa
Cai com simpatia e me deixa à toa
Chuva gostosa
Canta baixinho e harmoniosa


O que chove?
Chove uma torrente de pensamentos
Precipitados, insensatos, em desajeitado movimento
Chove tédio de sexta. Chove pelas frestas
Então vem, chuva
Condense as impurezas do meu ar
E a primavera venha saudar com seu doce manjar
Chove chuva


Vem regar a madrugada, invadir minha sacada, atiçar meu sono
Trazer malemolência, cuidar da carência
Esbanjar seu entono
Para depois partir enfim. Simples assim.
Powered By Blogger
You can replace this text by going to "Layout" and then "Page Elements" section. Edit " About "